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Regulamentação·28 / FEV / 2026·12 min

Resolução CFM 2.454/2026: o que muda para quem usa IA na medicina.

Entenda as exigências de governança, classificação de risco, supervisão humana e documentação do uso clínico da IA.

Dr. Petrus Bonfim

A Resolução CFM 2.454/2026 inaugurou o primeiro marco brasileiro específico sobre o uso de inteligência artificial no exercício da medicina. Diferente de diretrizes anteriores, que tratavam a tecnologia em abstrato, o texto é prático: define papéis, exige documentação e responsabiliza o médico pela decisão final.

O princípio-guia: supervisão humana significativa.

O ponto central da resolução é que a IA é instrumento, nunca substituto. O médico continua responsável pela conduta, pelo diagnóstico e pelo laudo — e precisa poder, a qualquer momento, discordar fundamentadamente da sugestão da máquina. 'Supervisão significativa' é a expressão que o texto usa: não basta um clique de aprovação; é preciso haver condição real de revisão.

Classificação de risco e documentação.

A resolução adota uma lógica de risco proporcional, próxima do que já é familiar em outras áreas regulatórias. Sistemas de apoio à decisão em contextos de urgência ou de alto impacto clínico são classificados em patamar superior e demandam documentação mais robusta — trilhas de auditoria, versionamento do modelo e registro das intervenções humanas feitas sobre cada caso.

  • Identificação clara do uso de IA no documento final.
  • Registro de versão do modelo utilizado em cada análise.
  • Trilha auditável das ações do médico sobre a sugestão automatizada.
  • Política institucional de uso e plano de contingência.

O que isso significa no dia a dia.

Para quem já usa ferramentas bem construídas, pouca coisa muda operacionalmente: logs, histórico e identificação do modelo já fazem parte do fluxo. Para quem usa ferramentas improvisadas — planilhas, scripts pessoais, chatbots genéricos — o ônus de documentação pode ser significativo. A resolução serve, na prática, como um filtro de maturidade para os fornecedores de software médico.

A IA é instrumento. Quem assina continua sendo o médico.

Nos próximos anos, o trabalho dos conselhos e do CFM deve ser consolidar entendimentos em torno desse texto — decidindo casos concretos, criando precedentes e, eventualmente, refinando a resolução. Para o radiologista de hoje, o recado é direto: escolha ferramentas que documentam o que fazem, e mantenha a sua revisão visível no laudo.

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